O primeiro a constatar o incêndio foi o zelador do clube, que concluía seu trabalho de ronda, mas pouco conseguiu fazer. O local foi dizimado pelas chamas em poucos minutos.
É madrugada de sábado, 15 de novembro, em Jaraguá do Sul. O ano é 1980 e por volta das 3h20min o bairro Jaraguá Esquerdo desperta. Alguns são acordados pelo cheiro. Outros pela estranha luminosidade que parte da rua Matias José Martins. Não que os moradores estivessem dormindo há muito tempo, afinal um baile aconteceu até momentos antes no mesmo local.
O local em questão é o estádio João Marcatto, que arde em chamas. Não o estádio em si ou seu conceituado salão social, mas o alojamento que abrigava os atletas do Grêmio Esportivo Juventus. O primeiro a constatar o incêndio foi o zelador do clube, que concluía seu trabalho de ronda, mas pouco conseguiu fazer. O local foi dizimado pelas chamas em poucos minutos.
Menos mal que não houve vítimas, apenas prejuízo financeiro. A edificação consumida pelo fogo não tinha qualquer espécie de seguro e falava-se na época de um revés de Cr$ 1,2 milhões aos cofres do tricolor. Construída em madeira, aos fundos do estádio — que também tinha arquibancadas de madeira na época — o local servia há três anos como morada para os atletas integrantes do plantel profissional.
“Dispondo de todas as comodidades, mesmo que simples, de um clube pobre do interior, com uma geladeira, fogão a gás, dois televisores preto e branco, louças e demais equipamentos de cozinha, móveis, cobertores e beliches, todos consumidos pelo incêndio”, descreveu o jornalista Flávio José Brugnago, então setorista de esportes do jornal O Correio do Povo. Os carnês de alguns eletrodomésticos sequer haviam sido quitados pelo clube.
A Polícia foi acionada para apurar as origens do incêndio, mas não conseguiu chegar a conclusão alguma. “Acredito que o incêndio tenha origens criminosas, pois quando o mesmo ocorreu (…) não existia nenhum jogador no interior da concentração. Além do fogo ter se registrado altas horas da madrugada”, desabafou o vice-presidente Durval Vasel para o jornal A Gazeta.
Depois do incidente, o Juventus passou algum tempo sem contar com um alojamento. Na época já se falava em montar uma nova estrutura debaixo da ‘futura’ arquibancada em alvenaria, com 16 degraus e 28 metros de extensão, que foi entregue pela construtora Cassol em 4 de janeiro de 1981. Mas, com o rebaixamento no Campeonato Catarinense, o ‘Time do Padre’ ficou dez anos afastado do futebol profissional e não precisou se preocupar com isso tão cedo.
Copyright © 2020 por Henrique Sudatti Porto
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AGRADECIMENTO:
Talita Rengel Santana e toda equipe do Arquivo Histórico “Eugênio Victor Schmöckel”
FONTES:
PREJUÍZOS superiores a um milhão no incêndio da concentração juventina. A Gazeta, Jaraguá do Sul, 21 nov. 1980, p. 7.
INCÊNDIO destrói inteiramente concentração juventina. O Correio do Povo, Jaraguá do Sul, 22 nov. 1980, p. 7.
NADA apurado quanto ao incêndio. A Gazeta, Jaraguá do Sul, 28 nov. 1980, p. 7.


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