Além de padre, o líder comunitário tinha formação em direito. Formação esta que lhe rendeu um ‘emprego’ pouco conhecido: o de advogado do Grêmio Esportivo Juventus.
Elemar Scheid realmente era uma figura peculiar, talvez a mais importante da história de Jaraguá do Sul. Além de padre, o líder comunitário tinha formação em direito. Formação esta que lhe rendeu um ‘emprego’ pouco conhecido: o de advogado do Grêmio Esportivo Juventus. Sua estreia nos tribunais da Federação Catarinense de Futebol está relacionada ao pioneiro embate entre o ‘Moleque Travesso’ e a Chapecoense, ocorrido em 12 de maio de 1976.
Como a viagem era longa e cansativa, os jaraguaenses se deslocaram um dia antes para Chapecó, realizando um treino de reconhecimento e desintoxicação no estádio Índio Condá assim que chegaram. Depois, se enfurnaram no hotel enquanto aguardavam o jogo chegar. Numa época em que a internet não existia — só chegou ao Brasil em 1988 –, a solução para afugentar o tédio nas horas de espera foi a caxeta. E nisso Maíca era um especialista. Tanto que raspou o dinheiro de todos do elenco e sobrou para o zagueiro Ginho. Dono de uma madeireira, se comoveu com a penúria dos companheiros e foi até o banco descontar um cheque para emprestar cruzeiros aos que precisavam.
Vivendo um momento positivo na competição, a equipe de Hélio Rosa alinhou com Zecão (depois Wilfrit); Bebeco, Ginho, Pimentel e Chicão; Paranaguá, Arizinho (depois Nilo), Ade e Juquinha; Nelo e Aldinho. A bola rolou sob o comando de Iolando Ehrat Rodrigues, auxiliado por Gerson Carlos Demaria e Pedro Paulo de Souza. O Verdão abriu o placar aos 21’ da etapa inicial com Ruy, de cabeça, aproveitando um cruzamento de Pio. E consolidou o triunfo aos 29’ da etapa complementar, com Volmir, que avançou pela esquerda e finalizou forte. Zecão ainda tentou espalmar, mas não conseguiu, jogando a redonda para dentro da própria meta. Rosa entendeu o lance como uma falha do arqueiro e promoveu a entrada de Wilfrit ainda com o jogo em andamento.
O resultado acabou fazendo justiça ao desempenho da Chapecoense, que apresentou um maior volume de jogo. O meio de campo juventino foi mal e comprometeu o ataque, que levou pouco ou quase nenhum perigo à meta do ‘Verdão’. Para piorar, Ade se desentendeu com o seu marcador Ivan. Desferiu uma cabeçada, foi expulso e na saída de campo ‘elogiou’ diversas gerações de Iolando Rodrigues. Este relatou o incidente na súmula e foi então que ‘santo homem’ reapareceu na história. Ademir Bell foi intimado pelo Tribunal de Justiça Desportiva, precisando o Padre Elemar mostrar toda a sua desenvoltura como membro da Ordem dos Advogados do Brasil para defender o atleta brigão de uma pena maior.
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo mecânico, eletrônico, reprográfico, entre outros, sem a autorização por escrito do autor. Originalmente publicado no jornal O Correio do Povo, de Jaraguá do Sul, em 29 de janeiro de 2020.


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