O ‘Time do Padre’ voltaria a assumir o nome esportivo Juventus apenas em 2004, coincidentemente para conquistar o único título profissional de sua história.
📷 Lucio Sassi
Por duas vezes na história o Grêmio Esportivo Juventus abriu mão de sua identidade, ambas na ilusão de que ficaria mais fácil conquistar patrocinadores e torcedores assumindo o nome da cidade. No primeiro caso, que contaremos na sequência, o nome fantasia foi alterado para Jaraguá Atlético Clube. No segundo, o departamento de futebol foi terceirizado para uma empresa que optou pelo nome Jaraguá Futebol Clube. Importante ressaltar que, nas duas ocasiões, o número no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) se manteve o mesmo.
A primeira mudança é datada de 1995. Eram tempos de vacas magras na margem esquerda do Rio Jaraguá. A surpreendente participação no Campeonato Catarinense de 1994 teve um preço salgado. A inédita terceira colocação deixou um rastro de dívidas, fato que afastou diversos interessados em assumir o comando do Grêmio Esportivo Juventus na eleição marcada para o fim daquele ano.
Candidato único, não sem antes relutar muito, Adelino Bompani assumiu a presidência do ‘Time do Padre’ já prevendo um mandato difícil pela frente. Além da dívida, o clube participaria pela primeira vez de um Campeonato Brasileiro, fato que por si só elevaria o valor da folha de pagamento. Some-se a isso a histórica dificuldade juventina em conquistar patrocinadores e tínhamos um cenário nada agradável montado.
O patrocínio da Malwee para a temporada era incerto. Os únicos recursos garantidos eram os repasses de 7% da arrecadação do Bingo Premier, 289 UPMs mensais (aproximadamente R$ 11.937,27) de um projeto de lei do prefeito em exercício Alfredo Guenther, além dos R$ 21,5 mil da RBS, a título de cota televisiva. De esporádico, fatos como a inclusão do jogo entre Juventus e Criciúma na Loteria Esportiva, que fez pingar R$ 23 mil na conta do clube.
Na medida do possível, Bompani fez o seu papel naquele ano. O Juventus não fez um campeonato brilhante, mas não correu riscos e conseguiu se manter na elite. Também fez um bom papel do Campeonato Brasileiro, caminhando até a fase eliminatória. Mas, no final da temporada o mandatário jogou o boné a presidência do Juventus caiu no colo do empresário Ângelo Margutte, então gerente de futebol, que prometia novos tempos e linha dura na condução do clube.
E foi influenciado pelas ideias de Margutte que Ismar Lombardi, presidente do conselho deliberativo, convocou uma assembleia para o dia 29 de janeiro de 1996, às 19h30. Em pauta, a mudança do nome fantasia durante cinco anos para Jaraguá tendo como objetivo, segundo palavras do próprio Margutte ao jornal O Correio do Povo, “promover a cidade no Estado e nos meios esportivos”.
Dos 89 conselheiros aptos a votar, apenas quinze compareceram à reunião. Entre os nomes potenciais, dois ficaram na votação final: Jaraguá Atlético Clube e Jaraguá Futebol Clube. Por uma diferença mínima de três votos, a alcunha Jaraguá Atlético Clube (JAC) foi a escolhida.
A mudança de nome não foi tão benéfica como se imaginava. Os patrocinadores não vieram e dentro de campo o clube acumulou insucessos. Até encerrou o Campeonato Catarinense em uma honrosa quinta colocação — atrás apenas de Chapecoense, Joinville, Tubarão e Criciúma. Mas foi eliminado de forma precoce do Campeonato Brasileiro — ainda na fase de grupos — e acabou rebaixado no Estadual de 1997, quando o clube optou por ficar inativo por tempo indeterminado.
Em 1999, uma empresa terceirizou o departamento de futebol. Por uma dessas ‘brincadeiras do destino’, escolheram o nome Jaraguá Futebol Clube para simbolizar a nova fase (mas essa história fica para outro dia). O ‘Time do Padre’ voltaria a assumir o nome esportivo Juventus apenas em 2004, coincidentemente para conquistar o único título profissional de sua história.
Copyright © 2020 por Henrique Sudatti Porto
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